30 de jun de 2006

Igreja Congregacional



O projeto desta igreja foi elaborado para ser implantado em Puxinanã, pequena cidade da microrregião de Campina Grande, Paraíba. Como a cidade não oferecia parâmetros urbanísticos legais, adaptamos os íncices praticados em João Pessoa para a nossa intervenção.
O terreno, além de exíguo em relação ao extenso programa exigido, apresentava uma das suas maiores faces voltadas para o poente, exigindo cuidados extras quanto ao conforto térmico.
No programa deveria haver, além do espaço para os rituais litúrgicos, locais para evangelização, administração, lanchonete, área de convivência, wcs e apoio para a zeladoria.


No zoneamento procuramos descolar a edificação o máximo possível da porção leste, desobstruindo o fluxo da ventilação natural que permearia o salão principal da igreja, no térreo. Colamos o bloco de serviço na parte posterior do terreno, ampliamos os recuos frontais, procurando fazer uma melhor transição entre a rua e o lote. A parte oeste do terreno, pela dimensão do seu recuo, se prestou a implantação da área de vivência, apoiada pela lanchonete. A viabiliadade deste espaço, diante da vulnerabilidade ao calor, só foi possível através da inserção de uma vegetação de maior porte para provê-la de sombra, protegendo também a fachada do salão de culto.



A acessibilidade foi um elemento que procuramos inserir no projeto, mas diante das limitações espaciais e financeiras teve que ficar restrita ao pavimento térreo.



No pavimento superior ficou reservada à sala do pastor, às salas para evangelização de adultos, crianças e adolescentes, além dos seus respectivos sanitários. As últimas salas, do lado norte, não tocam a alvenaria para permitir que um fluxo de iluminação natural, captada pela abertura zenital, recaia sobre o altar, numa referência simbólica à presença do Divino.
A parede oeste, inspirada nas edificações mais antigas, foi proposta em alvenaria de "uma vez" para obter uma espessura maior, diminuindo a condução térmica para o interior dos ambientes.





Ainda no pavimento superior as salas possuem abertura na laje para permitir a entrada de luz natural e circulação dos ventos.
Procuramos lançar os pilares coincidindo com as circulações laterais para liberar as visuais dentro do espaço interno. Este detalhe exigiu um sistema de vigas mais robusto, disfarçado pelo forro de gêsso.



Esboço preliminar do partido arquitetônico


O partido adotado utiliza-se de sistema construtivo simples, em alvenaria de tijolos maciços artesanais, muito comuns na região, rebocados e pintados em tinta acrílica branca. Em determinados trechos da fachada oeste a alvenaria não recebe reboco para revelar o material rústico que a compõe. O contraste entre os diferentes acabamentos, de uma beleza sutil, é muito utilizado nas residências da região.


A simplicidade compositiva dos volumes insere o novo de forma "silenciosa".




O volume cilíndrico do mirante se contrapõe a ortogonalidade do partido.

A vegetação, a médio prazo, amenizará a incidência solar agressiva na fachda poente.


Ficha técnica

Arquitetura: Oliveira Júnior, Manoel Farias e Glauco Brito
Imagens 3D: Michel Alexandre
Projeto: 2003

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